{"id":6557,"date":"2025-11-08T08:36:24","date_gmt":"2025-11-08T11:36:24","guid":{"rendered":"https:\/\/cidadenoar.com\/?p=6557"},"modified":"2025-11-08T08:36:27","modified_gmt":"2025-11-08T11:36:27","slug":"o-perigo-da-gastanca-pre-eleitoral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cidadenoar.com\/global\/politica\/o-perigo-da-gastanca-pre-eleitoral\/","title":{"rendered":"O Perigo da Gastan\u00e7a Pr\u00e9-Eleitoral"},"content":{"rendered":"\n<p>A sa\u00fade fiscal do Brasil encontra-se sob intensa press\u00e3o. Nesta breve an\u00e1lise, revelo, mais uma vez, meu ceticismo crescente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s metas fiscais do governo e ao futuro de pesadas heran\u00e7as para o pr\u00f3ximo ciclo presidencial (2027-2030).<\/p>\n\n\n\n<p>Minha primeira grande cr\u00edtica reside no paradoxo das contas p\u00fablicas. A proposta de cortar R$ 15 bilh\u00f5es em gastos para o pr\u00f3ximo ano \u2014 o que afeta, em parte, aux\u00edlios sociais \u2014 pode ser vista como um gesto de alto impacto, mas, na realidade, possui baixa efic\u00e1cia fiscal, especialmente quando comparada ao rombo projetado.<\/p>\n\n\n\n<p>Se, por um lado, diz-se que h\u00e1 esfor\u00e7o para conter despesas, o Legislativo e o Judici\u00e1rio avan\u00e7am em medidas que promovem o aumento de gastos, com a coniv\u00eancia do Executivo. Um exemplo \u00e9 a aprova\u00e7\u00e3o de 530 novas vagas para tribunais superiores (STF e STJ). Isso \u00e9 mais uma demonstra\u00e7\u00e3o de que a \u201cm\u00e1quina\u201d continua a expandir-se, corroendo qualquer ideia de austeridade. A conclus\u00e3o \u00e9 direta: o volume de despesas \u00e9 insustent\u00e1vel. A busca por mais arrecada\u00e7\u00e3o apenas mascara a incapacidade de gerir os gastos e transfere os aumentos diretamente aos contribuintes.<\/p>\n\n\n\n<p>A tradu\u00e7\u00e3o da narrativa <a href=\"https:\/\/cidadenoar.com\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">oficial<\/a> de que o aumento de receita cobrir\u00e1 o d\u00e9ficit \u00e9 clara: a conta recair\u00e1 diretamente sobre o contribuinte, via aumento de tributos. O governo j\u00e1 imp\u00f4s um aumento real na carga tribut\u00e1ria federal que, entre 2024 e o per\u00edodo atual de 2025, j\u00e1 \u00e9 de quase 15%. Dados da Receita Federal e estudos econ\u00f4micos confirmam esse forte aumento de arrecada\u00e7\u00e3o via reonera\u00e7\u00e3o e medidas de recomposi\u00e7\u00e3o de impostos, al\u00e9m de aumentos reais na carga tribut\u00e1ria. Contudo, essa inje\u00e7\u00e3o extra n\u00e3o foi suficiente para fechar as contas.<\/p>\n\n\n\n<p>A confian\u00e7a nos n\u00fameros oficiais \u00e9 severamente questionada. Enquanto o governo projeta um d\u00e9ficit menor, an\u00e1lises independentes de institui\u00e7\u00f5es e economistas sugerem que o rombo fiscal deste ano e o projetado para 2026 podem ser significativamente maiores, superando R$ 100 bilh\u00f5es. A percep\u00e7\u00e3o \u00e9 que a falta de austeridade e a m\u00e1 gest\u00e3o dos recursos levam a tais d\u00e9ficits.<\/p>\n\n\n\n<p>A maior preocupa\u00e7\u00e3o concentra-se no inevit\u00e1vel ano eleitoral de 2026. Historicamente, governos que buscam a reelei\u00e7\u00e3o tendem a flexibilizar a disciplina fiscal para impulsionar a popularidade. Essa trajet\u00f3ria de gastan\u00e7a, somada \u00e0 falta de austeridade atual, projeta um cen\u00e1rio sombrio: economistas independentes estimam um d\u00e9ficit prim\u00e1rio que pode ir muito al\u00e9m das proje\u00e7\u00f5es oficiais, superior a R$ 100 bilh\u00f5es. Essa irresponsabilidade fiscal acumular\u00e1 uma pesada heran\u00e7a de d\u00e9ficits ao longo do quadri\u00eanio, comprometendo drasticamente a gest\u00e3o do pr\u00f3ximo presidente a partir de 2027.<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente que tomar posse em 2027 herdar\u00e1 um pa\u00eds com a carga tribut\u00e1ria elevada, juros em patamares alt\u00edssimos (com t\u00edtulos do governo sendo negociados a taxas anuais elevadas) e uma margem de manobra fiscal m\u00ednima. Tudo isso em meio a uma reforma tribut\u00e1ria em andamento. Este cen\u00e1rio contrasta fortemente com o momento de transi\u00e7\u00e3o anterior, no qual o governo Jair Bolsonaro entregou as contas com super\u00e1vit prim\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio a este quadro, o agroneg\u00f3cio, frequentemente rotulado pelo atual governo como um setor &#8220;privilegiado&#8221; ou isento de tributos, enfrenta uma crise profunda. Segundo dados de entidades do setor, os pedidos de recupera\u00e7\u00e3o judicial no agroneg\u00f3cio cresceram 61% em 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>As dificuldades do agroneg\u00f3cio n\u00e3o decorrem de m\u00e1 gest\u00e3o do produtor, mas sim de um cen\u00e1rio macroecon\u00f4mico adverso, imposto pelo pr\u00f3prio governo. O setor \u00e9 estrangulado pela falta de cr\u00e9dito acess\u00edvel (com taxas de juros proibitivas), pela alta carga tribut\u00e1ria indireta e por problemas cr\u00f4nicos de log\u00edstica e escoamento que corroem a margem de lucro.<\/p>\n\n\n\n<p>Adicionalmente, a queda global nos pre\u00e7os das\u00a0<em>commodities<\/em>\u00a0agr\u00edcolas pressiona a rentabilidade,<br>tornando a produ\u00e7\u00e3o no <a href=\"https:\/\/cidadenoar.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Brasil <\/a>extremamente dif\u00edcil e arriscada. Mesmo diante desse quadro desfavor\u00e1vel, o agroneg\u00f3cio permanece como um dos pilares da economia brasileira, sustentado pela tecnologia e pelo esfor\u00e7o dos produtores. No entanto, se o governo persistir em pol\u00edticas que penalizam o setor (como a falta de cr\u00e9dito, a alta tributa\u00e7\u00e3o e a aus\u00eancia de apoio log\u00edstico), o cen\u00e1rio de recupera\u00e7\u00f5es judiciais pode piorar, afetando toda a cadeia produtiva.<\/p>\n\n\n\n<p>A atual condu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, pautada pela expans\u00e3o fiscal e prioridades imediatistas, demonstra<br>profunda irresponsabilidade com o futuro. O governo tem transformado a solv\u00eancia do Estado em moeda de troca eleitoral, ignorando alertas e penalizando setores produtivos como o agroneg\u00f3cio com juros altos e cr\u00e9dito escasso. Essa gest\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 lembrada pela estabilidade, mas sim pela acelera\u00e7\u00e3o da deteriora\u00e7\u00e3o fiscal. O resultado \u00e9 a certeza de que o pr\u00f3ximo ciclo come\u00e7ar\u00e1 estrangulado, com a heran\u00e7a mais perigosa sendo a eros\u00e3o da credibilidade na capacidade do Estado de equilibrar suas contas sem asfixiar o cidad\u00e3o e a iniciativa privada com tributos.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, o ano de 2026 ser\u00e1 marcado pela intensidade das complexas e necess\u00e1rias mudan\u00e7as advindas da reforma tribut\u00e1ria, do debate fiscal e das manobras eleitorais. A tend\u00eancia \u00e9 de um aumento de gastos e promessas, o que for\u00e7ar\u00e1 ainda mais as contas p\u00fablicas. A discuss\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 apenas sobre quem vencer\u00e1, mas sobre quem ter\u00e1 a dif\u00edcil miss\u00e3o de conter essa sangria fiscal a partir de 2027.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eduardo Berbigier&nbsp;<\/strong>\u00e9 advogado tributarista, especialista em Agroneg\u00f3cio, membro dos Comit\u00eas Juridico e Tribut\u00e1rio da Sociedade Rural Brasileira e CEO do Berbigier Sociedade de Advogados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A sa\u00fade fiscal do Brasil encontra-se sob intensa press\u00e3o. Nesta breve an\u00e1lise, revelo, mais uma vez, meu ceticismo crescente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s metas fiscais do governo e ao futuro de pesadas heran\u00e7as para o pr\u00f3ximo ciclo presidencial (2027-2030). Minha primeira grande cr\u00edtica reside no paradoxo das contas p\u00fablicas. 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