Levantamento aponta que o asfalto irregular e as “crateras” pós-chuva nos bairros estão gerando prejuízos silenciosos que vão muito além do pneu furado. Especialista local detalha os riscos.
Quem dirige diariamente pelas ruas de Itapema, especialmente nas vias transversais do bairro Morretes, já percebeu que a “buraqueira” se tornou um passageiro indesejado. Com o crescimento acelerado da construção civil, o tráfego intenso de caminhões pesados e as chuvas torrenciais típicas de verão, a malha viária da cidade tem sofrido uma deterioração visível. Mas o que muitos motoristas não sabem é que existe um desgaste silencioso e progressivo que compromete a segurança de famílias inteiras: a fadiga da suspensão.
Para entender a dimensão mecânica desse problema local, a reportagem do Cidade no Ar conversou com Cristiano, responsável técnico pela Santa Oficina, centro automotivo especializado localizado no bairro Morretes. Segundo o especialista, o perfil de atendimento na oficina mudou drasticamente nos últimos meses.
“Antigamente, a troca de componentes de suspensão seguia uma tabela de quilometragem previsível, geralmente acima dos 60 ou 70 mil quilômetros. Hoje, estamos recebendo veículos com 30 ou 40 mil quilômetros apresentando folgas severas em pivôs e amortecedores estourados. A vida útil das peças caiu pela metade devido às condições severas de rodagem na região”, revela Cristiano.
A Anatomia do Prejuízo: Não é só o “Buracão”
Um erro comum dos motoristas é achar que apenas cair em uma “cratera” causa danos. Segundo a análise técnica da Santa Oficina, o maior inimigo é a vibração constante causada pelo asfalto “craquelado”, emendas mal feitas de obras de saneamento e desníveis abruptos em tampas de bueiro.
“O sistema de suspensão do carro funciona como uma articulação do corpo humano. Quando você roda constantemente em piso irregular, as buchas de borracha (que servem para não deixar ferro bater com ferro) sofrem um superaquecimento e ressecam precocemente. É um dano que você não vê, mas sente quando o carro fica instável na BR-101”, explica o especialista.
O Fator “Maresia + Areia”
Outro ponto levantado na consultoria técnica prestada pela oficina ao nosso portal é a geografia de Itapema. Além dos impactos, os carros da região sofrem com a abrasividade. A areia fina das ruas, misturada com a maresia, cria uma “pasta abrasiva” que adere aos retentores dos amortecedores e às coifas homocinéticas.
“Quando o carro passa no buraco, o amortecedor desce. Se ele estiver sujo com essa areia de praia, ela funciona como uma lixa, riscando a haste e causando vazamento de óleo. Uma vez que vaza, o amortecedor perde a função e o carro vira uma ‘gelatina’ na pista”, alerta Cristiano.
Sinais de Alerta: Quando parar o carro imediatamente?
Muitos motoristas aumentam o volume do rádio para ignorar os barulhos, uma prática que pode custar caro ou custar a vida. O especialista da Santa Oficina listou para o Cidade no Ar os três sintomas críticos que exigem diagnóstico imediato:
- A “Batida Seca”: Se ao passar por uma pequena ondulação você sente uma pancada metálica, como se não houvesse amortecimento, é sinal de que os batentes ou o próprio amortecedor chegaram ao fim da vida útil.
- Direção “Boba” ou com Folga: Se você precisa corrigir o volante constantemente para manter o carro em linha reta, pode haver folga nos terminais de direção. O risco aqui é a quebra da peça, deixando o carro sem controle.
- Desgaste Irregular dos Pneus: Se o seu pneu está ficando “careca” apenas do lado de dentro ou de fora, sua suspensão está desalinhada devido a componentes empenados ou gastos.
📊 O Preço do “Deixa pra Depois”: Veja o tamanho do prejuízo
| Cenário | O que acontece? | Custo Médio Estimado | Tempo Parado | Risco de Segurança |
| Prevenção (Dica da Santa Oficina) | Troca de buchas, coxins ou pivôs ao primeiro sinal de ruído. | Baixo (1x) | 2 a 4 horas | Nulo. O carro sai alinhado e seguro. |
| Corretiva (Ignorou o Barulho) | Quebra da peça no trânsito/buraco. Danifica pneu, para-lama e semieixo. | Alto (Até 10x mais + Guincho) | 2 a 5 dias | Alto. Risco de perda de direção na BR-101. |
| Cenário em Itapema | Desgaste acelerado por areia + maresia nos amortecedores. | Médio (Troca do par) | 1 dia | Médio. Aumenta a distância de frenagem. |
Como proteger o bolso (e o carro)
Para finalizar, Cristiano oferece orientações práticas para os moradores de Itapema minimizarem os danos, já que desviar de todos os buracos é impossível:
- Lombadas: O erro clássico é frear em cima da lombada. Isso transfere todo o peso do carro para a frente, esmagando a suspensão. O correto é frear antes e soltar o pé do freio ao passar o obstáculo.
- Esterçamento: Evite girar o volante com o veículo totalmente parado. O atrito do pneu no asfalto quente força hidraulicamente a caixa de direção e os pivôs. Mova o carro levemente enquanto gira.
- Diagnóstico Preventivo: “Um pivô com folga custa X para trocar. Se ele quebrar andando, você perde o para-lama, o semieixo, o pneu e ainda paga o guincho. A conta fica dez vezes maior”, conclui.
A manutenção da malha viária é responsabilidade pública, mas a segurança do veículo é responsabilidade do proprietário. Em tempos de ruas castigadas, a visita à oficina deixa de ser corretiva e vira uma questão de segurança preventiva.
Colaborou com esta matéria: Cristiano Portugal / Santa Oficina.
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