23/11/2018 às 11h31min - Atualizada em 23/11/2018 às 23h12min

Creatina pode ajudar no combate à depressão e ansiedade, diz estudo

A creatina é um composto químico sintetizado no fígado, rins e pâncreas. A substância está associada a melhores resultados no ganho de massa magra e, por este motivo, é muito utilizada por esportistas. Ela atua como reserva de energia usada para converter o ADP (molécula fornecedora de energia). Apesar de 95% da creatina ser encontrada no músculo-esquelético, altas concentrações também estão presentes em órgãos como coração e cérebro.

Com isso, diversos estudos passaram a ser desenvolvidos com o objetivo de descobrir alguma correlação do composto com a cognição, inclusive no tratamento de depressão e ansiedade. De acordo com o nutricionista Diogo Círico, desde 2003, os pesquisadores descobrem alguma propriedade da creatina. Em 2007, um pesquisador chamado Macmorris estudou o efeito da creatina sobre melhora na cognição em idosos; outros cientistas, em 2003, estabeleceram uma relação entre pacientes de parkinson e baixos níveis de creatina. Existem ainda outras pesquisas que apontam para uma maior manutenção de células neuronais com uso de creatina em algumas doenças neurodegenerativas.

“O fato é que creatina é uma molécula energética e a interrupção do fornecimento de energia é uma situação vista em distúrbios neurodegenerativos”, explica o nutricionista. Diogo ainda diz que as pesquisas observaram um aumento nos níveis de creatina no cérebro após a suplementação.

Os estudos foram possíveis por meio de espectroscopia de ressonância magnética de prótons localizada. Com esse método, foi possível observar que o consumo de 5 g de creatina monohidratada quatro vezes ao dia durante 30 dias resultou em um aumento médio de 8,7% de creatina no cérebro.

Pesquisadores também  encontraram relação direta entre neurotransmissores, em particular catecolaminas (dopamina, norepinefrina e epinefrina), acetilcolina e suplementação de creatina. Os neurotransmissores estão relacionados também com a sensação de bem-estar, por isso a suplementação de creatina tem sido usada com mais frequência no tratamento de depressão, transtorno bipolar e demais doenças neurodegenerativas.

Somente em 2015, cinco artigos foram publicados sobre esse efeito. Um deles foi publicado na revista "Drug and Alcohol Dependence". Ele relata a capacidade da creatina em atenuar os sintomas da depressão em mulheres submetidas a oito semanas de tratamento com suplementação de 5 g diários. É importante dizer, no entanto, que não é um tratamento medicamentoso, porque a creatina é um nutriente. Tampouco pode substituir quaisquer tratamentos já desenvolvidos. “As pesquisas são novas, ainda não existe um consenso entre pesquisadores. Por este motivo, o tratamento com creatina ainda é algo experimental e não deve ser considerado uma alternativa a ser usada em conjunto com o restante do tratamento”, alerta o nutricionista Diogo Círico.


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