04/12/2018 às 14h11min - Atualizada em 05/12/2018 às 09h35min

Indústria automobilística está empolgada com governo Bolsonaro, diz Anfavea

Antonio Megale, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale, admitiu que a indústria de automóveis do país está empolgada com o próximo governo, liderado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro e que começará em dezembro. Segundo ele, as montadoras consideram "excelente" o primeiro contato que tiveram com a equipe que está coordenando a transição entre Michel Temer e o futuro governante.

Megale disse que as empresas estão esperando alguns anos para apresentar propostas de desenvolvimento econômico ao país cujos resultados não devem afetar apenas o mercado automobilístico. A indústria de carros representa 4% do PIB do país hoje, mas possui um importante lugar na arrecadação de impostos para o governo todos os anos: 12% de tudo o que é pago pelos consumidores.

"Em nossa visão deveria ter um Ministério da Produção muito forte, onde pudéssemos apresentar as demandas do setor. Assim como o novo governo, a indústria automobilística espera pelo bem do país. Então teremos uma convergência nesse ponto", disse.

As afirmações de Megale vieram logo após o setor publicar uma previsão de crescimento de dois dígitos em 2019 -- em torno de 12%. Carlos Zarlenga, presidente da GM Mercosul, disse recentemente que sua empresa espera um acréscimo de 12 a 13%, enquanto Pablo di Si, executivo da Volkswagen na América do Sul, acredita em alta de 10%. Rogelio Golfarb, vice-presidente da Ford, foi mais pessimista: em uma entrevista em novembro, disse que a montadora estadunidense espera crescer entre 5% a 10%.

Só em setembro de 2018, a frota nacional de automóveis era de 54.209.990, segundo o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), sem contar os demais veículos (ônibus, caminhões e motos), que somam 45.532.887 unidades. O serviço de despachante nacional será atualizado a partir de janeiro, quando começa o licenciamento.

O setor ainda será impulsionado pelo programa Rota 2030 do governo federal, lançado no final de novembro, cujo principal objetivo é estimular o desenvolvimento do setor automobilístico com medidas como a redução de IPI sobre veículos híbridos e elétricos e a possibilidade de criação de créditos fiscais para empresas que investirem em pesquisa e desenvolvimento.

Para Megale, porém, nem tudo é empolgação: ele alertou que Bolsonaro precisará mudar sua postura com relação ao Mercosul, bloco econômico e político mais relevante do continente. A Argentina, que encabeça o grupo ao lado do Brasil, é um dos principais parceiros comerciais exteriores do país e o maior consumidor de carros produzidos em território brasileiro.


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