24/08/2021 às 15h24min - Atualizada em 25/08/2021 às 00h10min

Falta de boas perspectivas leva ao desalento

(*) Cícero Manoel Bezerra

SALA DA NOTÍCIA NQM
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Divulgação
Um certo grupo da população está fora da força de trabalho ativa nesse país, e são muitas as razões que acarretam nessa falta de trabalho. O fator da experiência se leva em conta, mas ser muito jovem ou ter idade avançada também influenciam. Há quem não encontrou trabalho por estar em uma localidade onde haja fácil acesso, enfim, a lista de questões é grande e resulta hoje em um quadro com cinco milhões e novecentos mil trabalhadores sem emprego.

Desalentados são pessoas deprimidas e tristes, que perderam o ânimo, cuja esperança se foi e já estão cansados e esmorecidos. Alguns extenuados e prostrados. Na minha opinião, as pessoas ficam desalentadas devido à falta de oportunidade para ter uma formação básica. A Educação no Brasil ainda é acessível apenas para uma parte da população já que poucos têm acesso a uma educação profissional. Existe uma ênfase na educação clássica e falta implementação efetiva da educação técnica que forma jovens especialistas.

Quem não ficaria sem esperança ao ver faltar o básico para sua família? Falta comida, falta moradia, falta segurança, e quando o pai ou mãe chega em casa e percebe que não tem comida para os filhos, que perdeu o emprego, e que no próximo dia não terá o suficiente para o ônibus que o levará a uma entrevista de emprego, o desânimo chega de forma aterradora.

É muito difícil ter que enfrentar as agruras da vida de forma isolada ou independente. É provado que, quando um indivíduo faz parte de um determinado grupo, o leque de alternativas para solucionar os problemas se torna maior. Porém, ainda que façam parte de uma comunidade de bairro, de uma igreja, de um grupo que se reúne sistematicamente, uma boa parte dos brasileiros enfrenta as lutas sozinho, inclusive as esconde. E dificilmente encontra saída na solidão.

Para quem passa por doenças o quadro também é grave, pois falta dinheiro para comprar remédios, há doenças que fogem do controle, e o acesso à saúde em algumas cidades é caótico, com número de médicos por habitante assustador. Afinal, se temos 2,4 médicos para cada mil habitantes, significa que a maioria das pessoas nunca irá participar de uma consulta médica, ou suas chances são muito reduzidas.

Na minha opinião as pessoas desanimam ainda quando o crime ganha espaço. A preocupação dos pais com os filhos, ou ver que o lugar aonde mora é rodeado por verdadeiros soldados do crime, situações em que a insegurança predomina e os responsáveis pelas famílias não sabem o que fazer, ficando à mercê de uma rede de crimes que envolve o seu modo de vida.

Todos esses motivos desoladores apontam para a necessidade tanto do desenvolvimento de políticas públicas que garantam acesso ao mais básico quanto de medidas rápidas e urgentes para ajudar aqueles que passam por necessidades agora e tem pressa, não podem esperar: os que têm fome, os que estão inseguros, os que não conseguem trabalho. Proporcionar espaços públicos seguros, estimular a vida comunitária, os laços familiares e sociais, são medidas que fortalecem a sociedade como um todo. E apostar na educação para todos, o que no seu devido tempo resulta em oportunidades de melhoria de condição de vida. Quem governa deve identificar as realidades locais e buscar formas de resolver os problemas sociais do espaço de vida das pessoas.

(*) Cícero Manoel Bezerra é doutor em Teologia e coordenador dos cursos da Área de Humanidades do Centro Universitário Internacional UNINTER


 
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