20/12/2021 às 09h45min - Atualizada em 20/12/2021 às 10h20min

Terapia com análogos auxilia no combate à obesidade

Substâncias imitam ação de hormônio fisiológico e atuam no retardo do esvaziamento gástrico e aumento da saciedade; nova injeção semanal aprovada pelo FDA proporcionou uma perda de peso média de 15 quilos em um ano e meio de uso

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O tratamento clínico para combate à obesidade ganhou um novo impulso nos últimos anos com o uso dos medicamentos análogos do GLP-1, um hormônio produzido pelo intestino. As medicações liraglutida e a semaglutida, originalmente abordadas no tratamento do diabetes, são os principais alvos das pesquisas nesse sentido.

Em dezembro passado, a agência americana FDA aprovou a liraglutida em injeção de 3 mg para adolescentes com índice de Massa Corporal (IMC) maior ou igual a 30 kg/m2. A decisão foi baseada nos resultados do estudo SCALE Teen, que mostrou que o uso da dose única diária em adolescentes obesos, associada à mudança de hábitos, levou a uma redução de peso significativamente maior em comparação com o placebo.

Conforme a endocrinologista do Instituto de Medicina Sallet, Renata Midori, essas drogas agem imitando a ação do peptídeo-1 semelhante ao glucagon, mais conhecido como GLP-1. Produzido pelas células L intestinais, esse hormônio atua especialmente na regulação da glicose e no retardo do esvaziamento do estômago, induzindo à saciedade e redução do apetite.

“Por ter uma potente ação hipoglicemiante, os análogos são indicados para o tratamento do diabetes tipo 2 não controlado, como adjuvante à dieta e atividade física. Além disso, também são prescritos para perda de peso em pacientes com obesidade (IMC > 30kg/m2) ou sobrepeso (IMC >25kg/m2) associado a comorbidades”, explica a especialista.

Caneta para emagrecer

Em junho deste ano, o FDA aprovou um novo medicamento para perda de peso à base da semaglutida. O tratamento consiste na injeção semanal (2,4mg) da substância por meio de uma caneta, conforme o mesmo método adotado para outros remédios e insulinas. Segundo a agência americana, a droga deve ser disponibilizada no segundo semestre de 2022. 

"Essa substância, assim como outros sintéticos do GLP-1, é aprovada no Brasil para o tratamento do diabetes, porém, para a obesidade, o uso ainda é de forma off label, ou seja, sem aprovação na bula. Por outro lado, isso pode mudar com as influências externas, e estamos ansiosos por isso, pois todas as armas comprovadas que auxiliam no combate à obesidade são bem-vindas", diz a médica.  

A aprovação do novo remédio para emagrecimento foi baseada nos resultados do estudo 3a STEP1 publicado no The New England Journal of Medicine em março. Conforme a análise feita com 1961 pacientes, a semaglutida na dose semanal levou 86% dos participantes a perderem ao menos 5% do peso, enquanto 32% tiveram 20% perdidos no mesmo período de um ano e meio. O resultado foi considerado o mais próximo que um medicamento chegou das cirurgias bariátricas.

Medicamento x cirurgia

Conforme o cirurgião bariátrico José Afonso Sallet, médico-CEO do Instituto de Medicina Sallet, o tratamento clínico medicamentoso para obesidade se beneficiou muito com a utilização dos derivados do GLP-1 nos últimos anos, porém esses fármacos não se propõem a ser uma alternativa à cirurgia.

“Pacientes que têm indicação cirúrgica, sem dúvida alguma, vão ser melhor tratados com a cirurgia bariátrica e metabólica. No entanto, aqueles com sobrepeso ou níveis de obesidade que não se enquadrem no tratamento cirúrgico serão beneficiados com esses medicamentos. Outra situação são pacientes com superobesidade, que reganharam peso ou que, mesmo com indicação, apresentam alto risco para a cirurgia. Em todos esses casos, a medicação deve ser supervisionada por um profissional e estar associada a mudança comportamental”, explica.

Perigos da automedicação

Segundo Renata Midori, qualquer medicamento usado para perda de peso é indicado para casos específicos e, portanto, só deve ser utilizado sob a orientação de um médico. “Sem acompanhamento e uma indicação individualizada, o risco de reações adversas cresce e os benefícios são minimizados. No caso dos análogos do GLP1, quando sob supervisão clínica, a dose é aumentada aos poucos justamente para reduzir efeitos colaterais e otimizar os resultados com o tratamento”, alerta a endocrinologista.



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