23/02/2022 às 09h29min - Atualizada em 23/02/2022 às 12h30min

Na Veloe, a dupla “frete e frota” é a aposta para pintar o balanço de azul

SALA DA NOTÍCIA Fonte NeoFeed, Darcio Oliveira
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Fonte NeoFeed, Darcio Oliveira

Frota e frete. Frete e frota. Frota. Frete. As duas palavras não saem da cabeça dos 170 funcionários da Veloe, uma aliteração que, provavelmente, eles irão repetir feito um mantra durante o ano de 2022.

É que André Turquetto, o diretor-geral da Veloe, transformou a dupla frota-e-frete no grande hit da temporada, os dois segmentos que podem promover a virada financeira esperada pela empresa.

“Passamos 2020 ajustando a nossa plataforma e fomos para 2021 buscar o crescimento acelerado”, diz Turquetto, ao NeoFeed. “Saímos de uma base de 700 mil para 1,8 milhão de tags ativas, duplicamos o faturamento, chegando aos R$ 3 bilhões, e aumentamos de 475 para mais de mil o número de estabelecimentos comerciais atendidos”.

Cabe lembrar que a Veloe chegou ao mercado depois das concorrentes Sem Parar e ConectCar.

A Veloe nasceu como braço de pagamentos automáticos de pedágio e estacionamento da Alelo (uma empresa do grupo Elo, pertencente ao banco do Brasil e Bradesco). No início de 2021, incorporou o Frota Alelo, como estratégia de consolidação da área de mobilidade em uma única empresa do grupo.

Em um ano, o Frota aumentou em 100% o volume faturado em relação ao período pré-Veloe – atingindo R$ 1,6 bilhão, metade do faturamento total. Muito desse aumento veio de uma explosão do uso de transportadoras para atender a demanda da população em tempos de pandemia.

Um estudo realizado pela FreteBras mostra que o volume de fretes rodoviários no Brasil aumentou 67,50% somente no primeiro semestre do ano passado. O valor na movimentação de cargas superou R$ 3 trilhões no período.

A Veloe aproveitou essa onda, claro, para lançar o combo: pagamentos automáticos + gestão de frota. Já são mais de 4,6 mil empresas ativas no Frota Veloe. “Devemos aumentar esse volume em 90% em 2022”, afirma Turquetto. “Vamos investir R$ 136 milhões este ano em tecnologia e aumentar a rede de vendas. A ideia é quadruplicar as receitas em cinco anos.”

É aí que entra também o irmão mais novo do Frota, o frete – ainda nos primeiros passos. Mas já se vê que o caçula vem brigar em campo robusto: o mercado movimenta R$ 120 bilhões ao ano no Brasil. “Se formos considerar frota e frete, esse número salta para R$ 370 bilhões ao ano”, diz Mauro Telles, superintendente de produtos B2B da Veloe.

O plano, segundo ele, é levar aos caminhoneiros, aos transportadores autônomos, muitos dos benefícios que já se oferecia às empresas. E de quebra bancarizá-los, criando uma conexão com Bradesco e Banco do Brasil, os controladores da Veloe.

Esse é um cliente que, na visão de Tuquetto, precisa de crédito. Na maioria das vezes, explica o executivo, o caminhoneiro é subcontratado por uma transportadora, mas poderia fazer o serviço direto ao embarcador para evitar o custo intermediário. Não o faz porque as exigências são enormes: do controle de documentação ao seguro de carga.

“Além disso, o prazo de pagamento pelo serviço é longo, o que complica a vida do autônomo”, diz Turquetto. “Podemos criar uma carteira digital, com a qual ele terá todo o controle de documentação, acesso a informações de seguro, inteligência de rota, dicas de economia de combustível, e oferta de crédito.”

A Veloe, porém, não está e não estará sozinha nem no frete e nem na frota. É um mercado que terá de disputar com a Sem Parar Empresas, que já nasceu com 1 milhão de veículos (80% do mercado de gestão de frota no país), e com a ConectCar, do Itau e da Porto Seguro, que é dona também de um serviço de gestão de frotas e de vale-pedágio aos caminhoneiros.

Existem empresas do agronegócio e do ramo de estacionamentos de olho no bolso de caminhoneiros e transportadoras, segundo Turquetto.

Além das tags

Por isso, a necessidade de ir além do uso tradicional das tags. A briga ficou commoditizada (com o perdão do palavrão) e não há muito mais o que inovar em pedágios e cancelas. O último round foi a oferta de tags gratuitas ou dos bônus de desconto.

O Itaú, por exemplo, deu o benefício de utilização de tags da ConectCar sem mensalidade para os clientes do banco. Somada a campanha agressiva do banco com outras parcerias como a Tag Porto Seguro e a Ultrapasse (a tag do Mercado Pago), a ConectCar aumentou em 50% sua base em 2021, atingindo 1,6 milhão de clientes ativos (pessoas físicas e jurídicas).

O Sem Parar, por sua vez, lançou um modelo pré-pago, também sem mensalidade, uma inciativa seguida pela startup Move Mais e pelo banco Inter, em parceria com a Greenpass. “É o movimento de ganhar escala e então partir para ofertas complementares”, diz Marcus Ayres, sócio-diretor da consultoria estratégica alemã Roland Berger.

Segundo Ayres, o que ocorre agora no setor, sobretudo depois da transformação no fluxo de bens e pessoas pós-pandemia, é o “raciocínio de plataforma”. As empresas já têm o canal e a ocasião, o passo seguinte é ampliar a oferta de produtos com uma base one-stop-shop. “São companhias que estão na interseção entre mobilidade e finanças. E isso lhes dá uma avenida imensa pela frente”, afirma Ayres.

Turquetto vai em linha semelhante. “Não acredito em monoproduto. Não somos provedores de tags. Somos uma empresa que atua com mobilidade e acesso e tem a tag como parte desse sistema.”

Nos planos de mobilidade, acesso e tags há um esforço da empresa para montar uma carteira B2C, um segmento ainda inexplorado pela Veloe. Está em curso a transição de um aplicativo que era praticamente de transações – abertura automática de cancelas – para um aplicativo de soluções.

Por exemplo: manutenção e lavagem de veículos. Ou abastecimento de combustível (já há um projeto-piloto para pagamento mobile). Ou um produto que permita ao usuário consultar multas, pagar tributos, simular financiamento e consórcio, consultar seguros. Enfim, controlar toda a “vida do seu veículo”, como diz Turquetto. É mais uma conexão direta com os serviços financeiros dos sócios.

Outra ideia é replicar para o usuário final um serviço disponível às empresas: um aplicativo onde se pode consultar, num só lugar, diferentes tipos de modais de transporte e acertar a corrida ali mesmo. A tag é um meio de pagamento, afinal.

Sem contar que no meio do caminho das tags surgiu um inesperado incentivador. O governo federal pretende ampliar o uso dos adesivos para captura de dados. Acredita que eles poderiam, por exemplo, reunir informações do motorista e da carga transportada, reduzindo, assim, a papelada para a fiscalização em estradas.

Também poderiam ser uma ferramenta para ajudar a viabilizar o “free flow” nas rodovias, a passagem com cancelas livres – o pedágio é pago por Km rodado. E até para ajudar no processo de rastreamento de cargas.

A briga vai ser dura nas estradas. Sobretudo com a Sem Parar, com suas 6 milhões de tags ativas e 1 milhão de veículos na frota da Sem Parar Empresas, e com a ConectCar com sua base de quase 2 milhões de clientes, incluindo ConectCar Frotas e Vale-Pedágio.

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