01/04/2022 às 17h45min - Atualizada em 02/04/2022 às 00h00min

Plástico corresponde a 48,5% dos itens encontrados nos mares brasileiros

Os 15 itens mais encontrados nas análises realizadas pelo projeto representam 80,3% dos resíduos que vão parar no mar na costa brasileira; depois do plástico, a bituca de cigarro e o isopor aparecem em segundo e terceiro lugares, respectivamente, entre os itens mais encontrados.

DINO
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Desde 2018, a ABRELPE vem realizando um trabalho de campo em 11 municípios da costa brasileira, que juntos abrigam 14 milhões de pessoas. O resultado verificado até o momento indica que os resíduos plásticos correspondem a 48,5% dos materiais que vazam para os mares. O dado inédito é do programa Lixo Fora D’Água, que tem foco na prevenção e combate às fontes de poluição marinha por resíduos sólidos, realizado pela ABRELPE com apoio da Agência de Proteção Ambiental da Suécia e da ISWA (International Solid Waste Association).

O programa iniciou as ações de monitoramento, prevenção e combate ao lixo no mar e nos demais corpos hídricos na cidade de Santos e atualmente abrange os municípios de Balneário Camboriú (SC), Bertioga (SP), Fortaleza (CE), Ipojuca (PE), Rio de Janeiro (RJ), São Luís (MA), Manaus (AM), Serra (ES) e municípios da Baía da Ilha Grande no Rio de Janeiro. A metodologia desenvolvida no âmbito do projeto Lixo Fora D’Água também está presente no Caribe, sendo aplicada em municípios na Costa Rica, Colômbia e República Dominicana.

Os 15 itens mais encontrados nos estudos realizados representam 80,3% dos resíduos que vão parar no mar na costa brasileira, e fazem parte de uma amostra que já soma 16.733 itens retirados da areia, da praia e de manguezais. Os outros 19,7% remanescentes abrangem artigos como roupas, apetrechos de pesca, entre outros.

Desde sua concepção, em 2018, o programa Lixo Fora D’água identificou as principais fontes de vazamento e tipos de resíduos encontrados nos oceanos, e tem estudado de que forma os municípios podem atuar para aprimorar a gestão de resíduos sólidos em terra, para prevenir a poluição marinha causada por resíduos sólidos. Segundo um dos relatórios elaborados no âmbito do projeto, as três principais fontes de vazamento de lixo no mar são as comunidades nas áreas de ocupação irregular próximas aos cursos d’água, os canais de drenagem que atravessam a malha urbana e a própria orla da praia em sua faixa de areia.

“De acordo com os dados mais recentes, cerca de 22 milhões de toneladas de plásticos vazam para o meio ambiente a cada ano em todo o mundo, e em torno de 5 a 12 milhões de toneladas de resíduos plásticos têm os oceanos como destino. Cerca de 80% desse total são oriundos de atividades humanas desenvolvidas no continente, seja no litoral ou em regiões onde correm rios que desaguam em ambientes marinhos, sendo resultado de falhas que ocorrem nos sistemas de limpeza urbana e gestão de resíduos nas áreas urbanas das cidades”, observa Carlos Silva Filho, diretor presidente da ABRELPE e presidente da ISWA.

No Brasil, de acordo com as estimativas da ABRELPE, mais de 2 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos vão parar nos rios e mares todos os anos, quantidade suficiente para cobrir 7 mil campos de futebol. Ressalta-se, porém, que esse total pode ser ainda maior já que as 30 milhões de toneladas de lixo que seguem para destinação inadequada, ou seja, lixões e aterros controlados, que ainda existem em todo o país, podem acarretar um acréscimo de 3 milhões de toneladas de lixo no mar a cada ano.

Guia de Melhores Práticas – Lixo Fora D’Água

Elaborado pela ABRELPE com apoio da Agência de Proteção Ambiental da Suécia e da ISWA, o Guia Lixo Fora D’Água é um documento inédito que traça um passo a passo com orientações práticas no âmbito ambiental, financeiro e social para a prevenção e combate às fontes de poluição marinha por resíduos sólidos.

A publicação destaca quatro premissas que vão orientar os gestores públicos, as iniciativas privadas e as organizações diversas. Investigação x Mutirão de limpeza: não se trata de promover “limpeza” de uma praia, costão rochoso ou manguezal, mas sim de evitar que isso seja necessário e para isso é preciso entender a origem e reconhecer as potenciais fontes de poluição.

Replicabilidade com adaptações: isso deve ocorrer nas margens de rios, praias ou manguezais, onde estiver o problema. Baixo custo: é preciso que as ações sejam viáveis para aplicação pelas municipalidades, demandando materiais simples e pouco tempo de dedicação da equipe técnica. Consistência: a metodologia de investigação funciona ainda mais eficazmente se repetida periodicamente, a cada três meses no mínimo, na mesma área.

“Os resultados do programa Lixo Fora D’água permitem afirmar que a melhor solução para o problema do lixo no mar reside justamente no aperfeiçoamento dos sistemas e infraestruturas de limpeza urbana nas cidades, que deve acontecer junto a programas permanentes de educação ambiental implementados em todas as camadas da população”, diz Silva Filho.

 



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