02/07/2022 às 19h41min - Atualizada em 03/07/2022 às 00h01min

Como Cessar a Negligência dada as Livrarias e Indústrias das Últimas Décadas?

SALA DA NOTÍCIA Roberto Souza
Editoria Roberto Souza
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Rio de Janeiro – junho 2022
Por Roberto Souza

Infelizmente, o ano atual foi mais um que se iniciou com notícias de fechamentos de mais livrarias e estabelecimentos culturais, isso sem falar em bancas de jornais que sofrem com a digitalização, além de uma livraria destruída por temporais no Rio de Janeiro. Isso sem contabilizar a negligência dos políticos conferida as indústrias nas últimas décadas que praticamente sofreram e sofrem com a falta de apoio. Diante dessa destruição que vem ocorrendo nos últimos anos com o setor industrial e cultural, algumas questões começam a surgir: algo como, se não haveria modos de classificar as livrarias em regimes especiais, ou mesmo programas de mais incentivos a leitura, e convites para pessoas visitar mais livrarias? Entre tantas outras possibilidades, a questão é que o setor editorial, assim como o industrial vem passando por uma hecatombe de negligência pelos governantes nas últimas décadas. Para termos um parâmetro, segundo dados da CNC Confederação Nacional do Comércio, divulgados na grande imprensa, a quantia de livrarias foi reduzida nos últimos anos drasticamente, no período entre 2007-2018 algo como quase 30% de estabelecimentos a menos.

Obviamente que livrarias, assim como industriais, são como qualquer outro negócio, paga aluguéis em sua maioria, emite notas fiscais, paga impostos, e tudo que uma empresa naturalmente realiza. Mas não caberia as livrarias, assim como as indústrias, algo especial, como um regime de impostos ou incentivos governamentais, devido ao importante papel cultural e até social que essas empresas têm junto a sociedade? Obviamente que hoje com a Internet, ninguém precisa necessariamente ir a uma livraria para adquirir livros, mas há muitas pessoas que não deixam de ir, e isso envolve a questão comercial, seja pelas vendas por oportunidade, ou como parte da diversificação econômica. As vendas por oportunidade é quando a pessoa ao passar pelo local acaba comprando alguma obra que lhe vá agregar cultura. Aliás, segundo comerciantes experientes, a maioria das vendas são realizadas por vendas de oportunidade, mas sem a oferta e o espaço não há demanda, e haver estes espaços nas cidades é uma oportunidade a mais para as pessoas visitar.

Este comunicado tenta trazer essa reflexão sobre o papel das indústrias e das livrarias em um bairro, em uma comunidade, em uma cidade, em um centro comercial, para refletirmos sobre os mesmos locais sem esses estabelecimentos. Sem estes negócios, como livrarias há menos diversificação e menos oportunidades para quem compra e a quem vende. Diante disso, não seria justo haver algum meio de aliviar o fardo para as livrarias físicas, como um regime especial tributário, e especialmente nos regimes locatários? Como dito, isso não é sugestão alguma, é só uma reflexão para que algo possa ser pensado, algum modelo comercial, tributário, parcerias, ou novos modelos de negócios, e até junto a imprensa, algo que evite que mais livrarias fechem as portas.

Um caso de escritor que defende as livrarias é o entrevistado Edilson Gomes de Lima, autor do livro em lançamento nomeado: “dispensados pelo excesso de contingente” com o subtítulo: “a era do desemprego e das oportunidades pela ciência, engenharia e inovações”. A recente obra é uma arquitetura do desemprego e sobre a importância da indústria da e diversificação de negócios, com um foco na eletrônica básica como meio para a avançada, uma obra que embora pareça ser confusa em sua apresentação, as peças se juntam após a sua devida leitura, iluminando os gargalos atuais. O autor informa que ao visitar livrarias encontra muito mais do que apenas uma loja, são locais importantes, como bibliotecas que guardam a história de um povo, sua origem, pensamentos e da humanidade, além do conhecimento técnico, e por isso não deveriam ser tratadas como um comércio qualquer. Portanto, evitar que mais livrarias se fechem é, ou ao menos, deveria ser um papel de todos nós, seja junto a nossos políticos eleitos ou mesmo junto as comunidades locais e outros meios que a mente possa imaginar. Finalmente, o que devemos esperar de ambientes comerciais e de uma sociedade com pouca variedade em seus negócios, e essa diversificação começando pelas indústrias e pelas livrarias.

Estamos agora a caminho de uma nova eleição no brasil, e espera-se que o próximo presidente tenha ao menos a sensibilidade de olhar para esses grandes setores que são o industrial e o cultural de livrarias, assim como outros que foram tão negligenciados.
 
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