01/08/2022 às 10h13min - Atualizada em 01/08/2022 às 10h15min

Balança comercial da Alemanha registra déficit pela primeira vez em 30 anos

O resultado foi puxado pelo aumento dos custos de energia, alimentos e transporte.  O conflito entre Ucrânia e Rússia contribuiu em um efeito cascata, bem como os lockdowns ocorridos na China.

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Pela primeira vez desde 1991, a balança comercial da Alemanha teve resultado negativo, segundo o Departamento Federal de Estatísticas alemão (Destatis). A queda registrada em maio de 2022 foi de 1 bilhão de euros. Houve uma redução de 0,5% nas exportações e um aumento de 2,7% nas importações.

“O déficit na balança comercial da Alemanha, uma das economias mais fortes da Europa, sofreu um abalo muito forte, com considerável queda nas exportações e aumento dos custos das empresas. O resultado também foi puxado pelo aumento dos custos de energia, alimentos e transporte.  O conflito entre Ucrânia e Rússia contribuiu em um efeito cascata, bem como os lockdowns ocorridos na China”, afirma o especialista em logística Luís Felipe Campos, que possui experiência no setor internacional, principalmente no trade Europa-América Latina.

O saldo da balança comercial é igual ao valor total da exportação menos o valor total da importação. Dessa forma, a Alemanha, que é um típico exportador, está importando mais. Como consequência há uma desvalorização da moeda e aumento dos juros. A Alemanha registrou, em maio deste ano, a maior inflação em 50 anos, com acúmulo de 7,9% nos últimos 12 meses. A última vez que o país teve uma inflação nesse nível foi há quase 50 anos.

“A necessidade do momento faz com que um país adquira produtos internacionalmente, ou seja, realize mais importações, que é mais barato do que os produzir no próprio país. O problema maior é que, se perdurar o déficit comercial por muito tempo, pode enfraquecer a moeda local. Com os preços dos alimentos e da energia em alta, a balança comercial alemã leva um baque e acaba por preocupar os mercados, que já temem por uma recessão no continente europeu”, explica Campos.

A alta dependência do mercado europeu com as fontes de energéticas russas, junto às sanções implantadas ao país acabaram por disparar os preços do petróleo no mercado internacional. A guerra também causou uma crise no abastecimento alimentar mundial, já que a Ucrânia teve que interromper suas exportações de grãos. A principal política implica que o setor logístico continue cada vez mais investindo em infraestrutura e serviços, o que deve impactar positivamente.

A turbulência no setor logístico e de abastecimento, influenciada pela guerra atual e pelo aumento nos custos de produção, agravaram de forma global, fazendo com que a tendência seja de cautela para uma avaliação concreta sobre os próximos meses.

“A expectativa para o intervalo entre 2022 e 2024 é positiva para a economia alemã, mesmo crescendo menos, devido a influência da guerra entre Ucrânia e Rússia. Quanto aos próximos meses, o efeito da recuperação, mesmo com o otimismo, deverá ser impactado pelos aumentos de preços das matérias primas. Neste caso, o risco e a incerteza no comportamento na cadeia de suprimentos são difíceis de medir. Podemos dizer que será “morna” a recuperação nos próximos meses”, conclui o especialista.



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