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17/01/2023 às 17h29min - Atualizada em 18/01/2023 às 00h04min

Como atrair colaboradores para o trabalho presencial

Entender as razões pelas quais os brasileiros têm optado pelo home office é uma das saídas para oferecer benefícios que estimulem o deslocamento

SALA DA NOTÍCIA Victor Hugo Felix

Segundo levantamento do Instituto de pesquisas econômicas National Bureau of Economic Research (NBER), no Brasil, as empresas oferecem mais dias de home office do que realmente gostariam. Em média, os colaboradores estão até 2 dias por semana em trabalho remoto, enquanto os gestores pretendem estabelecer 1 dia semanal. Segundo o escritor Uranio Bonoldi, especialista em carreira, negócios e tomada de decisão, é preciso estar atento a essa tensão no mercado para que as empresas que têm preferência pelo trabalho presencial consigam atrair profissionais alinhados com seus propósitos e necessidades.

“Se o intuito é ter os colaboradores no escritório, pelo fato de que a empresa enxerga fatores benéficos no trabalho presencial, é importante saber o que tem motivado esses profissionais a optarem pelo trabalho à distância”, diz Bonoldi. De acordo com pesquisa do site de recrutamento Vagas.com para o software Vagas For Business, os três principais motivos pela preferência pelo home office entre brasileiros são: não precisar se locomover para o trabalho (13,9%), ter tempo para cuidar da família (11,7%) e ter tempo para outras atividades (11,7%). “Contudo, é bom saber como essas motivações se alteram pela faixa etária, nível de qualificação, localização geográfica e área de atuação, porque as prioridades mudam e isso pode ser fundamental para os negócios”, aponta o escritor.

Para o especialista, autor de “Decisões de alto impacto: como decidir com mais consciência e segurança na carreira e nos negócios”, empresas que precisam de mais trabalhadores in loco podem considerar ofertas de benefícios, desde coffee breaks a alterações nos espaços físicos para tornar a ambientação mais agradável ou abrigar uma creche, por exemplo. “É bom pensar no que a organização pode oferecer e que em casa o colaborador não teria, ou representa uma grande dificuldade de adequação com o horário de trabalho. Desta forma, o deslocamento para o local de trabalho parecerá vantajoso, não sendo necessário fazer discursos motivacionais para estimular o serviço presencial; os próprios profissionais tomarão essa decisão sozinhos”, aponta.

O recrutamento de colaboradores já deverá levar em conta essa necessidade do trabalho presencial, em uma busca por aqueles que têm perfil para esse modelo. “Há uma questão pouco discutida que é a preferência individual do trabalhador, aquilo que é imutável na sua personalidade. Para algumas pessoas, é fundamental estar em contato com os outros, e o home office as priva de interações sociais. Então, as empresas que precisam dos colaboradores presencialmente podem também levar em conta essa questão quando forem buscar novos profissionais, porque terão em seus quadros aqueles que estão mais alinhados com suas demandas”, opina Bonoldi.

Entretanto, o escritor não descarta que a necessidade pela flexibilização do trabalho acabe se impondo. “Em muitas partes do mundo, já há uma dificuldade para se encontrar profissionais que queiram trabalhar no escritório 7 dias por semana. Isso é algo que empresas brasileiras devem ter em mente quando se pensa na gestão de pessoas”, diz. Segundo o escritor, países desenvolvidos contam hoje com organizações cujos funcionários, dependendo do setor, trabalham, em média, apenas um dia por semana na empresa, quando antes da pandemia, trabalhavam todos os dias da semana ou no mínimo quatro dias. “O caminho é analisar cuidadosamente se o trabalho presencial é de fato necessário e benéfico para a empresa e para os trabalhadores. “Há alguma razão estratégica pelo trabalho no escritório, trazendo melhores resultados para a empresa? Se não for o caso, talvez o caminho seja a adaptação para o trabalho remoto ou híbrido, sob o risco de perder os profissionais mais qualificados”, finaliza.

Sobre o autor:

Uranio Bonoldi é palestrante e especialista em negócios e tomada de decisão, é professor do Executive MBA da Fundação Dom Cabral, onde leciona sobre "Poder e Tomada de Decisão". Educado pelo método Waldorf, sua graduação e em seguida a pós-graduação em administração de empresas foi feita na FGV-SP. Atuou em grandes empresas como diretor e CEO.


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