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20/06/2024 às 15h01min - Atualizada em 22/06/2024 às 00h00min

Química e empreendedorismo: um novo horizonte de oportunidades

(*) Marco Aurélio da Silva Carvalho Filho

ELIZABETH MATIAS
https://www.uninter.com
Rodrigo Leal/Uninter

O setor químico representa cerca de 10% do PIB industrial do Brasil, com tendência de crescimento contínuo, abrindo espaço para novos empreendedores. Muitas vezes vista como uma disciplina acadêmica, a química está se transformando em um campo fértil para empreendedores, criando oportunidades no mercado, especialmente para aqueles que estão dispostos a inovar.  

A regulamentação rigorosa da profissão e dos produtos químicos, supervisionada por órgãos como Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), a agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, Food and Drug Administration (FDA), e a Agência Europeia das Substâncias Químicas (ECHA), garantem que apenas profissionais qualificados possam desenvolver e comercializar produtos químicos, aumentando a segurança e eficácia. Isso transforma a química em uma área mais segura, confiável e repleta de potencial para inovações responsáveis e sustentáveis.  

No entanto, ainda é preciso superar o estereótipo do "cientista louco" e reconhecer a profissão como fundamental e empreendedora. Químicos têm desempenhado papéis cruciais no avanço da sociedade, desde medicamentos essenciais até materiais inovadores como o plástico biodegradável.  

A química é fundamental para o desenvolvimento de projetos de inovação, criando soluções avançadas que atendem às demandas modernas. Incentivos governamentais, incubadoras de empresas e uma abordagem holística e colaborativa nas instituições de ensino superior são essenciais para fomentar o empreendedorismo químico.  A química desempenha um papel crucial no desenvolvimento de projetos de inovação, com investimentos globais em P&D atingindo 2,4 trilhões de dólares em 2021, sendo uma parte significativa destinada às ciências químicas. Incubadoras e aceleradoras apoiam startups de base química, como no Brasil, onde o programa PIPE da FAPESP financiou mais de 2.000 projetos. O setor químico contribuiu com cerca de 4,1 trilhões de dólares para o PIB global em 2020. Inovações como as baterias de lítio, cujo mercado espera crescer de 41 bilhões de dólares em 2020 para 116 bilhões de dólares até 2030, exemplificam este impacto. Governos, como a União Europeia com o Horizon 2020 e o Brasil com a Lei do Bem, implementam políticas de incentivo para promover a inovação química.  

Empreendedores químicos podem criar materiais, produzir energia sustentável, desenvolver cosméticos naturais, produtos de limpeza ecológicos e métodos de reciclagem e reutilização de materiais. Startups estão na vanguarda da inovação, como a Carbon Clean Solutions e a LanzaTech, que capturam e reutilizam dióxido de carbono, e a Modern Meadow, que cria couro sintético. Empresas como a Mush, de Curitiba, usam micélios (parte vegetal de um fungo) para produzir materiais sustentáveis, e biodegradáveis, como placas para uso em construção civil, oferecendo uma solução ambientalmente amigável. Essas iniciativas contribuem para a sustentabilidade e melhoria da qualidade de vida, mostrando que a química está presente no nosso cotidiano, é uma profissão vital e cheia de oportunidades empreendedoras.  

A pandemia de COVID-19 destacou a importância da química na criação de soluções rápidas e eficazes, impulsionando ainda mais a inovação e o empreendedorismo na área. A indústria de biotecnologia tem crescido exponencialmente, impulsionada por inovações em química verde e bioprocessos, atraindo investimentos significativos. Além disso, a química é central em várias indústrias, como farmacêutica, cosmética e alimentícia.  

 O caminho do empreendedorismo químico é desafiador. O P&D pode ser caro e demorado, exigindo acesso a financiamentos e parcerias estratégicas. Entretanto, existem diversas iniciativas governamentais e privadas que oferecem apoio financeiro e logístico para startups no setor químico.  

Empreender em química é empreender na vida. Ao desenvolver novas soluções químicas, impactamos diretamente a saúde, alimentação, energia e meio ambiente, criando inovações que melhoram a qualidade de vida e a sustentabilidade do planeta. Incentivar mais profissionais a explorar esse caminho é crucial para construir um futuro mais sustentável e inovador. 

*Marco Aurélio da Silva Carvalho Filho é doutor em Química e professor do setor de exatas do Centro Universitário Internacional Uninter  


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ELIZABETH AUGUSTA CARVALHO MATIAS
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