Inteligência Artificial, juventude e o medo do futuro do trabalho

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O avanço acelerado da inteligência artificial (IA) tem provocado uma mistura de interesse e medo, especialmente entre jovens que estão prestes a ingressar no mercado de trabalho. Um estudo recente de Liang e Zhai (2025) apresenta esse fenômeno ao demonstrar que quanto maior a consciência dos estudantes universitários sobre os impactos da IA, maior tende a ser sua percepção de risco em relação ao emprego.

Em outras palavras, não é apenas a presença da tecnologia que gera insegurança, mas a forma como ela é percebida. A pesquisa mostra que a IA atua como um gatilho psicológico: ao reconhecer que máquinas e algoritmos podem substituir determinadas funções, muitos estudantes passam a sentir ansiedade em relação ao futuro profissional. Essa ansiedade, por sua vez, amplia a sensação de instabilidade e ameaça.

No entanto, o estudo traz um ponto fundamental que merece destaque no debate público: o medo não é inevitável nem é igual para todos. Um dos achados mais relevantes é o papel da chamada orientação para a aprendizagem. Estudantes que enxergam o aprendizado contínuo como parte natural da vida profissional, demonstram menor impacto emocional diante das transformações tecnológicas. Para eles, a IA aparece menos como uma ameaça e mais como um desafio a ser compreendido e incorporado.

Essa constatação relaciona-se diretamente com o contexto atual do trabalho. A inteligência artificial não elimina apenas empregos; ela reorganiza competências, redefine papéis e exige novas combinações entre habilidades técnicas, pensamento crítico, criatividade e sensibilidade social. As profissões não desaparecem de forma automática, mas se transformam, e quem não acompanha esse movimento tende a sentir mais fortemente o risco.

Do ponto de vista da gestão, da educação e das políticas públicas, o estudo reforça a necessidade de ir além do discurso alarmista sobre “substituição de pessoas por máquinas”. O foco deve estar na preparação psicológica, educacional e institucional dos jovens para lidar com a incerteza. Isso envolve universidades mais conectadas à realidade do trabalho, incentivo à interdisciplinaridade, desenvolvimento de competências socioemocionais e uma cultura de aprendizado ao longo da vida.

Mais do que temer a inteligência artificial, o desafio central é evitar que ela aprofunde desigualdades, inseguranças e ansiedades já existentes. A tecnologia, por si só, não determina o futuro do trabalho. O que realmente define esse futuro é a capacidade coletiva dos indivíduos, organizações e governos de transformar inovação em oportunidade, e não em exclusão.

Kethely Karol de Sousa Cabral Ferreira | Administradora 

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