Localização, planta, metragem e preço continuam entre os principais fatores considerados na escolha de um imóvel, mas a análise do comprador passou a incluir com mais frequência uma questão que vai além das características do produto: quem está por trás do empreendimento. Histórico de entregas, tempo de atuação e capacidade de execução das incorporadoras ganharam espaço na pesquisa que antecede a decisão de compra, especialmente no mercado de imóveis na planta.
A percepção vem da linha de frente do mercado imobiliário catarinense. Para Fabrício Mendonça, diretor regional da Lumma Construtora, juros elevados, crédito mais seletivo e maior acesso à informação vêm contribuindo para mudar a forma como o consumidor avalia a aquisição. “O que observo não é necessariamente uma retração da disposição de compra, mas uma mudança na forma como essa decisão é tomada. O cliente pesquisa mais, compara alternativas e procura reunir elementos que lhe deem segurança”, afirma Mendonça.
Essa avaliação ganha relevância na compra de imóveis na planta, quando podem transcorrer alguns anos entre a assinatura do contrato e a entrega das chaves. Nesse intervalo, o comprador depende da capacidade da incorporadora de executar o que inicialmente conheceu por meio de plantas, imagens, memoriais e informações comerciais.
No Litoral Norte catarinense, onde Mendonça acompanha a relação entre incorporadoras, imobiliárias, corretores e clientes, a mudança já aparece nas negociações. Segundo o executivo, compradores chegam ao atendimento já conhecendo empreendimentos anteriores, pesquisam o tempo de atuação da empresa e procuram informações sobre quem está à frente do negócio.
“A reputação deixou o campo estritamente institucional e passou a compor diretamente a percepção do produto. O tempo de atuação, por si só, não constitui um certificado de qualidade. O histórico ganha relevância quando pode ser verificado em empreendimentos concluídos, na relação construída com clientes e na coerência entre o que foi apresentado na venda e o que chegou ao comprador”, diz.
Com mais acesso à informação e crédito seletivo, compradores pesquisam entregas, tempo de atuação e capacidade de execução das empresas antes de fechar negócio, aponta diretor regional da Lumma
Mudança chega também a imobiliárias e corretores
O novo comportamento tem reflexos na própria dinâmica comercial. Informações sobre planta, localização, preço e condições de pagamento permanecem fundamentais, mas imobiliárias e corretores passaram a lidar também com questionamentos sobre a incorporadora, sua trajetória e capacidade de execução. “Para quem intermedia uma decisão patrimonial dessa dimensão, conhecer a empresa responsável pelo empreendimento é essencial hoje. Um comprador criterioso demanda informação de qualidade, transparência, projetos consistentes e uma atuação comercial preparada para responder a perguntas que vão além do metro quadrado”, avalia Mendonça.
A discussão coincide com os 20 anos da Lumma Construtora. Fundada em Santa Catarina em 2006, a companhia soma mais de mil unidades entregues e mantém mais de 150 mil metros quadrados em obras. Em 2025, passou a integrar o Ranking INTEC entre as 100 maiores construtoras brasileiras em metros quadrados em construção e está entre as dez maiores de Santa Catarina.
Ao longo desse período, a empresa atravessou diferentes momentos da economia brasileira e do mercado imobiliário, entre ciclos de expansão e recessão, mudanças nas taxas de juros, restrições ao crédito e alterações no comportamento dos consumidores. Para Mendonça, essa trajetória também oferece elementos para a avaliação de uma incorporadora.
“Uma empresa não constrói seu histórico apenas nos momentos favoráveis. A capacidade de manter operações, executar projetos e continuar planejando novos investimentos ao longo do tempo oferece ao mercado referências concretas para avaliar sua trajetória”, afirma.
Nos últimos anos, a Lumma ampliou sua presença no mercado catarinense e avançou para projetos de maior escala e para o segmento de bairros planejados. A empresa projeta cerca de R$ 3 bilhões em novos projetos ao longo da próxima década, com investidores em diferentes projetos.
Para Luiza David Maria Mendes, diretora de Projetos e Incorporações da Lumma, essa mudança de escala exige que as decisões considerem também a evolução das regiões onde os empreendimentos serão implantados. “Projetos dessa natureza exigem uma visão de longo prazo. Estamos falando de empreendimentos que dialogam com a evolução das cidades e que precisam fazer sentido não apenas para quem compra um imóvel hoje, mas também para quem vai viver nesses espaços daqui a vinte ou trinta anos”, afirma Luiza.
Fabrício Lumma
Confiança passa a ter valor econômico
Em Santa Catarina, especialmente no Litoral Norte, a ampliação da oferta e a chegada de compradores de diferentes regiões aumentam as possibilidades de comparação entre produtos e empresas. Na avaliação de Mendonça, esse processo tende a permanecer mesmo quando as condições econômicas mudarem. “É por isso que a confiança passou a ter valor econômico no mercado imobiliário. Ao comprar um imóvel na planta, o cliente avalia localização, produto, preço, condições de pagamento e perspectiva de valorização, mas também precisa confiar na capacidade de uma empresa de transformar o projeto apresentado no momento da venda em um imóvel entregue alguns anos depois”, afirma.
Juros, crédito e liquidez continuarão sujeitos aos ciclos da economia. Para Mendonça, entretanto, o acesso à informação tende a manter a pesquisa sobre as incorporadoras integrada à jornada de compra. Nesse cenário, histórico e reputação passam a dividir espaço com os atributos tradicionais do imóvel na decisão do consumidor.
Sobre a Lumma Construtora
Fundada em 2006, a Lumma Construtora completa 20 anos de atuação em 2026. A empresa catarinense soma mais de mil unidades entregues e mais de 150 mil metros quadrados em obras. Com atuação em diferentes regiões de Santa Catarina, desenvolve empreendimentos residenciais e inicia um novo ciclo de crescimento com projetos de maior escala e bairros planejados.