A tirania das ditaduras “eternas”

Na mídia tem notícia boa: participe da nossa comunidade
Entrar Agora

Mikhail Bakunin, o anarquista russo nascido em 1814, foi o primeiro a farejar o cheiro de tirania no ar marxista — e disse isso na cara de Marx, com argumentos que, vistos de 2026, parecem profecia.

Em Statism and Anarchy (1873), Bakunin escreveu: “Se o proletariado for a classe dominante, a quem governará? Deve haver outro proletariado sujeito a essa nova dominação, esse novo Estado”. Ele via claro: a tal “ditadura do proletariado” de Marx não era transição para liberdade, mas troca — os “intelectuais urbanos alemães” (o time Marx) no lugar dos nobres.

Bakunin avisou que essa vanguarda nunca largaria o osso: “Marxistas fingem que só a ditadura — claro, a deles — pode criar liberdade para o povo”. Eles decidiriam quando o povo estaria “pronto”, e o povo esperaria eternamente. Não era revolução espontânea das massas; era golpe de elite que se eternizaria como “classe dominante proletária”.

Tudo explodiu na Primeira Internacional (AIT, 1864–1876). Bakunin entra em 1868, trazendo sua Aliança Internacional da Democracia Socialista — rede anarquista que defendia federações livres, abolição imediata do Estado, greves gerais e milícias populares descentralizadas.​​

Marx via nisso ameaça: Bakunin pregava fim do Estado já, enquanto Marx queria um “Estado proletário” forte para “suprimir a burguesia”. No Congresso de Haia (1872), Marx manobra para expulsar Bakunin e seu grupo por “manter organização secreta” dentro da AIT — ironia, já que Marx controlava o Conselho Geral como ditador. A Internacional se parte: marxistas vão para um lado, anarquistas fundam a AIT antiautoritária em Saint-Imier.​​

Bakunin não se enganava: “Segundo a teoria de Marx, o povo não deve destruir o Estado, mas reforçá-lo e torná-lo mais forte”. Ele previu o que veio: Lenin, Stalin, ditaduras eternas em nome do “proletariado”.

A prisão infernal que Bakunin aguentou

Após a Revolução de Dresden (1849), é capturado na Saxônia, condenado à morte (comutada para prisão perpétua), extraditado para Áustria (Olmütz, onde fica acorrentado por meses), e finalmente entregue à Rússia em 1851.

Na Fortaleza de Pedro e Paulo (São Petersburgo), de 1851 a 1857: acorrentado de mãos e pés às paredes de pedra, com correntes pesadas e bolas de ferro nos pés, em solitária úmida e escura. Condições brutais: pão mofado, água suja, interrogatórios constantes. Quebrado fisicamente, escreve a “Confissão” ao tsar Nicolau I (1857), implorando misericórdia – documento controverso – onde admite erros e pede clemência.

Exilado na Sibéria até fugir em 1861 (via EUA e Europa) enquanto Marx e Engels usaram a Confissão para difamar Bakunin como “traidor”, mas foi o tsarismo que o torturou (e talvez eles quem criaram a confissão).

Bakunin odiava centralização e ele via o Estado marxista como máquina de escravidão nova, e acertou, URSS, China, Cuba viraram provas vivas.​

Bakunin denunciou o autoritarismo marxista antes de todo mundo, foi expulso por defender liberdade imediata, e pagou com correntes russas o preço de desafiar poderes.

Será que você vê semelhança com algo que acontece atualmente?

Sua visão descentralizada (federações livres, milícias populares) continua viva em quem rejeita ditaduras “proletárias”. Ele viu o que Marx não quis ver ou seria ele viu o que Marx queria esconder e tantos outros até hoje querem esconder? E pensar que lá atrás quando ainda era “concepção” já se tinha percebido a face ditatorial…

P.S.:

Pierre-Joseph Proudhon, primeiro autodeclarado anarquista, via a propriedade privada como “roubo” — não por abolir a posse legítima do trabalhador sobre sua produção, mas por condenar o monopólio e a exploração sem trabalhar. Defendia o mutualismo: bancos populares com crédito grátis, cooperativas auto gestionadas, federações voluntárias de baixo para cima sem Estado centralizador, trocas justas pelo tempo de trabalho socialmente necessário. Rejeitava tanto o capitalismo parasitário quanto o socialismo autoritário de Marx, apostando na revolução espontânea.

Proudhon vs Marx: Quando Marx chega a Paris (1842), os dois viram rivais. Proudhon tenta aliança no Manifesto dos 60 (1848), mas Marx o ataca em A Miséria da Filosofia (1847): “Sr. Proudhon tem o azar de ser geralmente errado”. O nó: Marx queria Estado proletário forte pra “suprimir a burguesia”; Proudhon via nisso novo despotismo. Resultado: anarquistas (Proudhon, depois Bakunin) vão pra um lado; marxistas criam partidos de vanguarda que viram ditaduras eternas.

Tem algo interessante acontecendo por aí?
Compartilhe com a gente!

Sugestão Enviar sugestão de matéria

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *