Banho quente, menos protetor solar e pouca hidratação: os erros que podem prejudicar a pele e o couro cabeludo no inverno

O couro cabeludo é uma extensão da pele e possui glândulas sebáceas, vasos sanguíneos, terminações nervosas e um microbioma próprio (Imagem FREEPIK)
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Quem nunca aproveitou um dia frio para tomar um banho bem quente? Apesar da sensação de conforto, esse hábito está entre os principais responsáveis pelo ressecamento da pele durante o inverno. Somado à baixa umidade do ar e à redução da transpiração, ele compromete a barreira natural de proteção da pele e do couro cabeludo, favorecendo coceira, descamação, irritações e até o agravamento de algumas doenças dermatológicas.

Ao mesmo tempo, a estação é considerada uma das mais favoráveis para a realização de tratamentos dermatológicos, já que a menor exposição ao sol permite uma recuperação mais confortável e favorece o planejamento de procedimentos cujos resultados aparecem ao longo dos meses seguintes.

As orientações reunidas nesta reportagem foram compartilhadas pela dermatologista Dra. Bárbara Lovato, pelo dermatologista Dr. Robinson Kaczmarck e pela fisioterapeuta e terapeuta capilar Priscila da Costa Mol, profissionais da Cadore Clínica Dermatológica, em Florianópolis. A clínica é dirigida pela médica Dra. Débora Cadore, referência internacional em medicina capilar e terapias regenerativas, e reúne especialistas em dermatologia clínica, tricologia e tecnologias voltadas à saúde da pele e do couro cabeludo. Entre os diferenciais da clínica está o Head Spa, protocolo inspirado nas tradicionais técnicas de cuidado capilar da Coreia do Sul, que combina avaliação especializada, limpeza profunda do couro cabeludo, massagens terapêuticas e tecnologias voltadas ao equilíbrio da saúde capilar.

Segundo os especialistas, pequenas mudanças na rotina durante o inverno fazem diferença não apenas para evitar o desconforto causado pelo ressecamento, mas também para prevenir doenças e preservar a saúde da pele e dos cabelos ao longo de todo o ano.

O frio realmente piora as doenças de pele?

Sim. Algumas doenças inflamatórias costumam apresentar crises mais frequentes nesta época do ano.

Segundo a dermatologista Dra. Bárbara Lovato, a dermatite atópica e a rosácea estão entre as principais queixas observadas no consultório durante os meses frios.

“O frio agrava várias condições de pele. As mais comuns que vejo são dermatite atópica, tanto em crianças quanto em adultos, e rosácea em mulheres adultas.”

Pacientes com doenças autoimunes também precisam redobrar os cuidados. Pessoas com lúpus ou esclerodermia, por exemplo, podem desenvolver o fenômeno de Raynaud, condição em que o frio reduz temporariamente a circulação sanguínea nas extremidades, provocando dor, dormência e alterações na coloração dos dedos das mãos e dos pés.

“Nesses casos, recomendamos manter as mãos sempre aquecidas e, em algumas situações, utilizar medicações preventivas. Já quem tem dermatite atópica deve intensificar a hidratação, porque a pele fica mais ressecada e mais suscetível às crises”, explica a médica.

Banho quente: conforto para o corpo, prejuízo para a pele

Poucas sensações são tão agradáveis durante o inverno quanto um banho longo e quente. O problema é que esse hábito remove parte da camada de gordura e proteínas responsáveis por proteger naturalmente a pele.

“A água quente remove a camada de gordura e proteínas que protege a pele. Para minimizar os danos, recomendo utilizar syndets, que são limpadores mais suaves do que os sabonetes convencionais, hidratar a pele imediatamente após o banho e, se possível, aquecer o ambiente do banheiro para conseguir usar água menos quente”, orienta a dermatologista.

Ela lembra que manter a pele hidratada vai muito além da estética.

“A hidratação protege a barreira cutânea, nossa primeira defesa contra bactérias, fungos e alérgenos. Uma pele hidratada não apenas tem melhor aparência, mas também fica menos propensa a alergias, coceira e infecções.”

No spa capilar coreano, antes de cuidar dos fios, cuida-se da pele onde eles nascem (Imagem FREEPIK)

Outro erro comum é utilizar o mesmo hidratante do corpo no rosto. Embora isso possa funcionar em alguns casos, principalmente para pessoas com pele muito seca, a especialista explica que o ideal é utilizar produtos específicos para a região facial, que possui características diferentes e pode demandar ativos voltados ao tratamento de acne, manchas ou rugas.

Segundo ela, quando o ressecamento passa a provocar coceira intensa, descamação importante ou até feridas, é hora de procurar avaliação médica.

Beber bastante água é suficiente para hidratar a pele?

Não. Esse é um dos mitos mais comuns quando o assunto é cuidados com a pele no inverno.

“Não adianta tomar banho muito quente, não usar hidratante e acreditar que beber dois ou três litros de água por dia vai resolver o problema. A hidratação da pele depende, sobretudo, dos cuidados que temos com ela.”

A recomendação é manter uma rotina de cuidados com produtos adequados para cada tipo de pele. A higienização do rosto deve ser feita duas vezes ao dia com limpadores específicos, enquanto o hidratante utilizado durante o inverno pode ter maior poder de hidratação para compensar o ressecamento provocado pelo clima.

Protetor solar continua sendo indispensável

Outro mito bastante difundido é acreditar que o protetor solar pode ser deixado de lado durante o inverno.

Segundo o dermatologista Dr. Robinson Kaczmarck, isso representa um risco para a saúde da pele.

“A radiação realmente é menos intensa no inverno, mas não a ponto de deixarmos de usar protetor solar. Quando falamos em fotoproteção, não estamos prevenindo apenas queimaduras. Também protegemos a pele do envelhecimento precoce, do surgimento de manchas e do câncer de pele.”

O médico explica que os danos provocados pela radiação ultravioleta são cumulativos e podem se manifestar anos depois.

O inverno também é a melhor época para cuidar da pele

Se por um lado o frio exige cuidados extras, por outro ele oferece condições ideais para quem deseja investir em tratamentos dermatológicos.

Segundo Dr. Robinson, a recuperação costuma ser mais confortável durante o inverno porque a exposição ao sol é naturalmente menor, permitindo a realização de procedimentos mais intensos.

“Como o auge da produção de colágeno costuma ocorrer entre 60 e 90 dias após o tratamento, iniciar esses procedimentos durante o inverno é fundamental para que a pele esteja em melhores condições no verão.”

Entre as principais indicações da estação estão tratamentos para manchas, cicatrizes, melasma, acne, rosácea, remoção de tatuagens, lesões vasculares e melhora da qualidade da pele.

O especialista reforça que, durante a recuperação, é fundamental seguir todas as orientações médicas, especialmente em relação ao uso de protetor solar, à suspensão temporária de alguns cosméticos e, dependendo do procedimento, à restrição de atividades físicas intensas e da exposição ao mar ou à piscina.

O couro cabeludo também sente os efeitos do frio

Assim como acontece com a pele, o couro cabeludo sofre diretamente com as baixas temperaturas.

Segundo a fisioterapeuta e terapeuta capilar Priscila da Costa Mol, o frio, a baixa umidade do ar e os banhos quentes favorecem o ressecamento da região.

“É comum observar maior sensação de repuxamento, descamação, coceira e aumento da sensibilidade. Além disso, muitas pessoas diminuem a frequência das lavagens no inverno, favorecendo o acúmulo de oleosidade, células mortas e resíduos.”

Esse desequilíbrio também pode favorecer a proliferação da Malassezia, fungo naturalmente presente na pele e relacionado ao agravamento da dermatite seborreica, conhecida popularmente como caspa.

Lavar os cabelos todos os dias faz mal?

A resposta é não.

Segundo Priscila, esse é um dos maiores mitos relacionados aos cuidados capilares.

“A frequência ideal depende do tipo de couro cabeludo, do estilo de vida e das necessidades de cada pessoa. Quem tem couro cabeludo oleoso ou pratica atividade física pode, inclusive, se beneficiar da lavagem diária.”

Ela explica que o mais importante é utilizar um shampoo adequado para cada tipo de couro cabeludo e evitar água excessivamente quente.

Assim como uma planta depende de um solo saudável, fios bonitos também dependem de um couro cabeludo equilibrado, alerta espeecialista (Imagem FREEPIK)

O couro cabeludo merece a mesma atenção que a pele do rosto

Durante sua formação na Coreia do Sul, Priscila percebeu uma diferença importante em relação aos hábitos de cuidado adotados pelos brasileiros.

“Na Coreia existe uma cultura consolidada de prevenção. Antes de cuidar dos fios, cuida-se da pele onde eles nascem.”

Segundo ela, o couro cabeludo é uma extensão da pele e possui glândulas sebáceas, vasos sanguíneos, terminações nervosas e um microbioma próprio. Quando essa região está desequilibrada, podem surgir alterações como oleosidade excessiva, sensibilidade, inflamação, descamação e queda capilar.

A especialista utiliza uma comparação simples para explicar essa relação.

“Assim como uma planta depende de um solo saudável, fios bonitos também dependem de um couro cabeludo equilibrado.”

Head Spa: quando saúde capilar e relaxamento caminham juntos

Ainda pouco conhecido por muitos brasileiros, o Head Spa vem conquistando espaço por unir cuidado terapêutico e bem-estar.

Na Cadore Clínica Dermatológica, o protocolo é inspirado nas tradicionais técnicas coreanas e foi adaptado com tecnologias voltadas à saúde capilar.

Segundo Priscila, embora muitas pessoas associam o procedimento apenas ao relaxamento, seus benefícios vão além da experiência sensorial.

“Trata-se de um protocolo terapêutico que associa ciência, tecnologia e técnicas manuais para promover a saúde do couro cabeludo e criar um ambiente mais favorável para o crescimento saudável dos fios.”

O protocolo inclui avaliação especializada do couro cabeludo, aromaterapia, limpeza profunda, hidroesfoliação, massagens terapêuticas, aplicação de ativos personalizados, hidratação intensiva dos fios, laserterapia de baixa intensidade e outros recursos voltados ao equilíbrio do couro cabeludo.

“O objetivo não é apenas proporcionar uma experiência relaxante, mas promover um couro cabeludo equilibrado, que é a base para fios mais fortes, saudáveis e bonitos”, explica a terapeuta capilar.

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