31/03/2020 às 21h45min - Atualizada em 31/03/2020 às 21h45min

Religar o Motor

No cenário mais negativo em decorrência das consequências do coronavírus, o PIB (Produto Interno Brasileiro) de 2020 seria de -1,8%. A projeção é do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), que divulgou sua carta de conjuntura nesta segunda-feira (30/03). Este seria o cenário para o PIB 2020 caso o país paralisasse durante três meses por conta da pandemia. Na semana passada, a previsão do Banco Central era de crescimento de 0% do PIB.
 
A nível global, na sexta-feira (27/03), o Goldman Sachs divulgou novas previsões para vários países. O banco norte-americano prevê a pior recessão para a América Latina desde a Segunda Guerra Mundial, revisando a queda do PIB da região de -1,2% para -3,8%. Também passou a prever retração em todos os países da região e, no caso do PIB do Brasil, mudou a estimativa de queda de -1% para -3,4% neste ano. O banco ainda calcula um derretimento do PIB da Europa, com queda de -9%, puxado pela Itália, que deverá registrar uma retração de -11,6%.
 
Por aqui, apesar dos recentes anúncios do governo para socorrer as pequenas empresas (que são maioria em nosso país, com número estimado pelo DataSebrae acima de 14 milhões, fora a informalidade) as previsões do banco norte-americano, de acordo com o economista-chefe para América Latina, Alberto Ramos, são de que “A dinâmica da crise é altamente recessiva, e respostas de políticas financeira e fiscal não mitigam o jogo no curto prazo”, explica. “O risco de esses dados serem um pouco piores do que estamos projetando existe, porque a gente nunca viu uma retração como essa. Se eu ganhar na loteria, não vou sair de casa para gastar. É o espírito de sobrevivência à doença que vai prevalecer, e as pessoas vão preferir ficar em casa”, destaca.
 
Roberto Padovani, economista-chefe do Banco BV, reconhece que as estimativas de uma queda de -1,5% no PIB brasileiro deste ano, como ele está prevendo, podem ser otimistas. Dependendo do tempo em que a atividade econômica estiver paralisada, o tombo da economia brasileira poderá ser maior de -4% neste ano.
 
Segundo o diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, José Ronaldo De Castro Souza Júnior, em 2019 e início de 2020, a economia vinha de uma recuperação moderada, mas ainda assim recuperação. Mas agora, com a pandemia, é gerada uma perda bastante significativa. Segundo ele, a Bolsa de Valores, como trabalha com expectativas, caso algum protocolo de tratamento contra o coronavírus tenha sucesso, conseguirá se recuperar com rapidez, porque o mercado financeiro é muito ágil.
 
E segundo este que vos escreve, a eficácia dos pacotes anunciados pelo governo federal (pois os estaduais e municipais posicionaram-se totalmente contra a economia) mostrar-se-á lenta, tendo em vista que estamos observando entraves em cada elo da corrente. Fornecedores exigindo pagamento À vista onde antes havia-se negociação de condição, indústrias carecendo de insumos para produção, distribuidores com problemas logísticos e atraso de recebimento, revendedores sofrendo com alta de preços e baixos estoques, e por fim, clientes trancafiados em casa, com medo, muitos já sem emprego ou com perspectiva de atraso nos salários, e já tendo que lidar com alta de preços em alguns casos acima de 30%, enfim, é o Brasil inteiro com um pé no cemitério econômico nacional.
 
Minha opinião é de que a iniciativa da Reforma Tributária deve ser revista e posicionada de forma mais agressiva para ser votada e implementada já no 3° trimestre, com ajuste na LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) se for o caso, mantendo o IVA (Imposto Sobre Valor Agregado – que trata da substituição e unificação dos impostos cobrados ao consumidor em um único imposto.) porem desonerando os elos iniciais da corrente, a fim de colocar o produto brasileiro a um preço final mais barato, estimulando o consumo, que estimula a contratação, a criação de empresas, exportação etc. Pode ter certeza que os outros países farão isso. O Estado precisará encolher a sua “fome”.

Até a próxima!  
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