26/01/2021 às 14h53min - Atualizada em 26/01/2021 às 14h48min

A cantora que está quebrando tabus por onde passa, conheça Ellen Bold

Para finalizar o mês de janeiro (mês da visibilidade trans), Ellen Bold que vem fazendo um trabalho magnífico através da música nos conta seus sonhos de quebrar tabus quando o assunto é transexualidade. Vivemos em uma sociedade que ainda julga muito a mulher trans como "um homem que se veste de mulher", um julgamento tão promíscuo e minúsculo.

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 Recentemente a jovem lançou um videoclipe na plataforma YouTube, o clipe se chama "Viciosa". Em uma conversa com Ellen Bold nos contou: "Ser uma cantora trans é motivo de muito orgulho para mim, desde pequena meu sonho sempre foi ser uma cantora famosa, lançar o videoclipe foi a realização de um sonho, me sinto muito realizada, e sei que meu propósito é esse, em cantar, em quebra tabus através da música e mostrar para sociedade que uma mulher trans pode ser o que ela quiser, ela poder ser cantora, modelo, advogada, médica, engenheira, professora, empresária, as pessoas precisam entender que somos mulheres como as outras e merecemos espaço e respeito, é muito difícil aceitar a discriminação com a transsexual. Acabei de gravar um ep e quero alcançar todos com a minha arte e colocar na cabeça das pessoas de uma vez por todas que a mulher trans merece ser inserida onde ela quiser, em qualquer âmbito de trabalho".
 
Ainda existe um preconceito muito grande, as pessoas que nascem na condição de transexualidade enfrentam desafios diários. A primeira é enfrentar a si mesma, enfrentar o seu próprio corpo, se autoconhecer, se reconhecer enquanto pessoa no mundo que nasceu em condição física totalmente diferente daquela de identidade de gênero, como se reconhece interiormente, é uma fase complexa, onde o psicológico está sujeito a reagir de várias formas, ainda mais quando se trata em nascer nessa condição e ainda ter que enxergar o preconceito da sociedade. É raro as pessoas que passam por  esse enfrentamento ter acompanhamento psicológico e apoio da família que, geralmente, a pessoa não tem (na maioria dos casos). Então, quando finalmente consegue ter esse apoio, também precisa lidar com a questão social, porque ela vai fazer mudança de nome e mudanças físicas no seu corpo para que ele seja adequado a quem ela é interiormente, para que se sinta plena e realizada enquanto pessoa que pode olhar-se no espelho e se ver como ser humano, como quem ela é no mundo, através do seu próprio corpo. Esse processo, que é muito rico para a pessoa que vivência, mas não é fácil, também vai ao encontro não só de você consigo mesma, mas com o outro, tanto no mercado de trabalho que muitas vezes não recebe essa pessoa, não porque ela não tem qualificações profissionais, mas, porque ela tem uma condição de identidade de gênero diferente daquela do padrão social.
 
"As escolas precisam urgentemente educar essa nova geração que está por vir sobre identidade de gênero, diferenças, raça, cor, etnia,  religião, precisamos mostrar para nova geração que ser diferente é normal, que o importante é ser honesto, é ter caráter, e respeitar a decisão das pessoas e as diferenças. Vivemos em um mundo muito preconceituoso, está na hora disso acabar e as pessoas poderem ser livres, sem medo de andar na rua, sem medo de ser o que são, sem medo de se formar e saber se vão conseguir atuar na área de formação. Por isso tento alcançar o máximo de pessoas possíveis nas minhas redes sociais. As transsexuais têm voz, têm sonhos e propósitos, o meu é vencer e levar a causa sempre comigo, merecemos ser respeitadas." Desabafou a cantora
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