22/04/2022 às 08h53min - Atualizada em 23/04/2022 às 00h00min

O que é que Brasília tem...

SALA DA NOTÍCIA Verbo Nostro
As conversas rolam soltas, sem roteiro engessado e com o compromisso central de propiciar ao público uma imersão na história de vida de cada artista apresentado. Mais exatamente, um retrato falado pelos próprios protagonistas - com condução do entrevistador - construindo um mosaico da cena artística e cultural de Brasília para além do Plano Piloto. Assim funciona o projeto “Retratos” - iniciativa do Coletivo Educação pela Arte. A websérie lança novos episódios até o final de maio, sempre aos sábados, a partir das 10 horas. No próximo 23 de abril, a entrevistada é Clarice Cardell, diretora artística do Festival Primeiro Olhar – Arte Para a Primeira Infância, atriz, produtora e fundadora da companhia teatral La Casa Incierta. Na sequência, o circuito online traz episódios inéditoscom  Mansur JP e Dila Caju (30/4), Preto Breu (07/5), Hamilton Pinheiro (14/5) e Luciano Porto (21/5).

A primeira fase do projeto foi lançada em janeiro de 2021 e apresenta uma ideia brotada nas cabeças do músico Nelson Latif (www.nelsonlatif.com) e do fotógrafo e produtor cultural Tiago dos Santos (http://berinjela.art.br/) logo no início da pandemia do Coronavírus, como alternativa à suspensão das atividades presenciais. Violonista e cavaquinista, Nelson Latif é coordenador do projeto Alma Brasileira; integrante do Trio Baru e de outros projetos musicais. Com frequência, divulga a música brasileira no exterior. Nascido na Ceilândia, Tiago dos Santos é fotógrafo, videomaker de arte e produtor cultural. 

 “Queríamos produzir um conteúdo forte em imagem, mas quebrando a lógica que costuma pautar a maioria das entrevistas com artistas, geralmente mais centradas na produção e na novidade do momento. Nosso foco foi ir além e contar histórias sobre como pensa quem produz arte fora do eixo de visibilidade de Brasília”, explica Latif.


O viés antropológico é linha mestra para explorar e mostrar a relação que cada artista tem com o meio em que vive e produz sua arte. Assinado pela dupla Latif e Santos, o roteiro de “Retratos” busca conhecer e revelar a pessoa por trás do artista, suas memórias e, por meio dessas narrativas, estimular um novo olhar para uma produção cultural rica, mas quase invisível fora de seus territórios periféricos. Em paralelo, coloca os artistas retratados numa vitrine sem limite de acesso.

“A periferia tem uma personalidade baseada no essencial, porque é o resultado do que dá para fazer com o tempo que sobra entre as tentativas de sobrevivência. Então, é uma felicidade compartilhar a arte dessas pessoas, o cansaço de ter que ser, além de artista; empreendedor; a tristeza de não ter chegado aonde se sonhou e a fé de que um dia ainda se chega lá”, destaca o produtor cultural e também roteirista, Tiago dos Santos. 

Cada episódio de “Retratos”, veiculado por um canal no YouTube, tem 20 minutos de duração e conta com um ou dois convidados. O primeiro bloco, batizado de “Retratos DF”, produziu 18 entrevistas, cinco delas em fase de finalização para serem apresentadas aos internautas até final de maio. “Essa primeira temporada ganhou um contorno mais educacional em função de nossa parceria de desenvolvimento com o Coletivo Educação pela Arte, e patrocínio da Lei Aldir Blanc”, conta Nelson Latif.

Para assistir aos episódios do projeto “Retratos”, acesse o endereço https://www.youtube.com/playlist?list=PLkDrlhDETnw4jHkp4YtWuFAoJn9PMygS9 . No canal, já estão disponíveis entrevistas com os artistas Adriana Nunes e Cláudio Torres Gonzaga, Fred Magalhães, Sandro Alves, Marcello Linhos, Mestre Samara, Eladio Oduber, Nãnan Matos, Isabella Rovo e Victor Batista, Juliana Valentim, Aryane Sánchez, Thiago Lunar, Marcelo Lima e Ismael Rattis.

Novidade
Com benefício do Fundo de Apoio à Cultura de Brasília, o segundo bloco da websérie será denominado “Retratos-Ceilândia” e está em processo de pré-produção. A previsão é que o lançamento ocorra em junho deste ano. “Ceilândia é uma cidade dentro da cidade. Porém, é comum as pessoas imaginarem que lá só tem rap de protesto. O que pouca gente sabe ou se interessa em saber, é que a produção cultural em Ceilândia é efervescente, diversa, plural e ampla em linguagens além da música. E é isso que queremos mostrar: a identidade e a representatividade da periferia, parte indivisível do mosaico cultural que é Brasília, enfatiza Latif.  “Ceilândia é gigante física e culturalmente. Temos música, dança, grafite, cinema, teatro, forte identidade gastronômica e muita originalidade”, completa Santos.
 
O bloco Ceilândia também terá 12 episódios e a lista dos artistas está desenhada para abrigar alguns recortes pontuais como mulheres, negritude, cultura gospel e comunidade LGBTQIA+. A mescla de artistas de diferentes gerações também está contemplada na pauta. Um terceiro bloco está nos planos dos criadores do projeto “Retratos”, seguindo a diversificação de territórios dentro do Distrito Federal.

Ficha técnica projeto “Retratos”
Realização: Coletivo Educação pela Arte
Direção e produção: Nelson Latif
Produção de vídeo: Tiago dos Santos - Berinjela
Edição de vídeo: Andréia Fonseca

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