15/09/2019 às 12h02min - Atualizada em 15/09/2019 às 12h02min

300% ao ano, é mole?

Segundo dados divulgados no final de Agosto pelo Banco Central, é possível verificar que, nos últimos 12 meses até Julho, o saldo de operações com o rotativo do cartão entre pessoas físicas subiu 13,3%, para R$ 38,14 bilhões. No caso do cheque especial, a alta no período foi de 17,0%, para R$ 185,82 bilhões.

Em um ambiente de ligeira recuperação no índice de desemprego e fortalecimento da renda, as famílias brasileiras estão recorrendo mais ao rotativo do cartão de crédito e ao cheque especial para fechar as contas. Além da maior procura, essas duas modalidades de crédito – as mais caras do mercado – estão apresentando custos ainda mais elevados. Os saldos nestas modalidades são bem inferiores ao registrado em operações de crédito pessoal, que tiveram alta de 12,9% do saldo nos 12 meses até Julho, para R$ 489,71 bilhões. O fato de os estoques do rotativo do cartão e do cheque especial serem menores é positivo, porém, estas modalidades são consideradas emergenciais e, por isso, têm custo maior.

Para piorar, o crédito rotativo e o cheque especial ficaram mais caros no período analisado. Os números do BC revelam que, nos 12 meses até Julho, a taxa média do rotativo do cartão de crédito subiu 27,7 pontos porcentuais, para 300,3% ao ano. No caso do rotativo regular – modalidade que reúne as pessoas que pagam pelo menos o mínimo da fatura do cartão de crédito – a taxa de juros subiu 31,6 pontos porcentuais no período, para 283,7% ao ano. Na prática, uma dívida de R$ 5.000 no rotativo regular transforma-se, após um mês, em um compromisso de R$ 5.595.

Somente em julho, a alta dos juros no rotativo regular foi de 6,5 pontos porcentuais. No caso do cheque especial, a alta de juros foi de 15,5 pontos porcentuais em 12 meses, para 318,7% ao ano. Contudo, os dados do BC mostram ainda que, quando são consideradas todas as operações de crédito para pessoas físicas – e não apenas as com cartão e cheque –, a taxa de juros média recuou 1,0 ponto porcentual no mês passado, para 52,2% ao ano. Em 12 meses, há alta acumulada de apenas 0,2 ponto porcentual. Não podemos nos esquecer que a taxa básica de juros da economia está, já há algum tempo, no seu patamar mais baixo da história. Mesmo assim, os bancos brasileiros continuam no topo quando o assunto é spread bancário, ou seja, a diferença entre o que as instituições pagam para captar dinheiro e o que cobram quando emprestam.

Segundo especialistas, uma das explicações para isso é a questão da recuperação de crédito, ou seja, o risco que o banco tem de sofrer calote por parte de quem toma o empréstimo. Entretanto, ainda de acordo com o BC, a rentabilidade de bancos no Brasil é a maior em 7 anos, registrando lucros recordes ano após ano. O Retorno sobre o Patrimônio Líquido do sistema bancário alcançou 14,8% no final do ano passado. Tem certeza de que o brasileiro é tão mal pagador assim? Já está na hora de alguém agir neste sentido! Chega de pagar tantos juros neste país! Um forte abraço e até a próxima!

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