21/10/2019 às 14h25min - Atualizada em 21/10/2019 às 14h25min

Projetos ensinam alunos a identificarem fake news

Alfabetização midiática e informacional ajuda jovens a reconhecerem notícias falsas, fontes não confiáveis e veículos tendenciosos

COMMUNICA BRASIL
Segundo pesquisa divulgada pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts – MIT, as chamadas fake news têm 70% de chance a mais de se propagarem do que notícias verdadeiras. Além delas, outras questões em pauta são a falta de confiança nas fontes que divulgam informações e veículos de comunicação tendenciosos. Para a UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura), a alfabetização midiática e informacional desde a infância é essencial para promover o acesso igualitário à informação. Por isso, alguns colégios brasileiros já inserem essas disciplinas em sua grade curricular.

O Colégio Humboldt, instituição bilíngue e multicultural (português/alemão), localizada em Interlagos (SP), desenvolveu um projeto para os alunos do Ensino Médio sobre como identificar as fake news. A ideia é que os alunos inicialmente reflitam e posicionem-se sobre o tema em uma Redação e em um segundo momento tenham acesso a algumas notícias falsas durante as aulas de Língua Portuguesa, para que sejam orientados acerca de como identificá-las. “Esse projeto apresenta essas questões para que os alunos saibam avaliar uma notícia e eventualmente identificá-la como uma fake news e aprendam, dessa forma, investigar e verificar a idoneidade de sua a origem. Depois disso, a proposta é conduzir os estudantes a uma nova reflexão acerca dos interesses e motivações que sustentam essa prática, o que culmina na percepção daqueles que se beneficiam ou se prejudicam com isso”, afirma Marcelo Milani, coordenador de Tecnologias Educacionais do Colégio.

O Humboldt também conta com um documento que apresenta a Matriz de Competências e Habilidades em Tecnologias e Mídias Digitais, que norteia os trabalhos pedagógicos da instituição em todos os níveis. Trata-se de um projeto de caráter multidisciplinar, concebido pelo próprio colégio para orientar as práticas pedagógicas inseridas ao universo tecnológico. “Exploramos quatro eixos: Dominar Tecnologias, Dominar Linguagens Digitais, Desenvolver Pensamento Crítico e Enfrentar Situações-Problema, que por suas vezes estão subdivididos em 10 competências e cerca de 70 habilidades. Uma dessas habilidades, por exemplo, trata especificamente de como o aluno deve ‘analisar e efetuar curadoria de forma crítica e reflexiva dos diversos sites e informações obtidos por meios digitais e eletrônicos’. Trata-se de uma concepção bastante estruturada, que com certeza permite aos professores abordagens mais modernas e significativas, dentro do contexto atual”, completa o coordenador.

Dessa forma, com o objetivo de nortear os trabalhos diários com tecnologias educacionais, a partir do próximo ano já foram criados os três primeiros ciclos do “Currículo de Mídias do Colégio Humboldt”, que atendem às demandas pedagógicas para as turmas de 1ºs a 6ºs anos e darão início a um processo formativo estruturado para o ensino de mídias. O documento, redigido pela Coordenação de Tecnologias Educacionais do Colégio em parceria com o Grupo Methodix - e que atenderá a todo o Colégio -, descreve os conteúdos que devem ser trabalhados junto aos alunos em cada ano, divididos em quatro unidades temáticas - “Hardware, Software e Redes”, “Análise, Consciência e Decisão”, “Estéticas, Narrativas e Programação” e “Sociedade Tecnológico-Midiática e Segurança” -, além de objetos do conhecimento, tópicos por meio do quais é possível desenvolver as habilidades nos alunos, sempre orientados pela Matriz de Competências e Habilidades em Tecnologias e Mídias Digitais.

Outra importante iniciativa tem sido a criação de um “Programa de Educação Digital”, concebido por meio de uma parceria entre a Equipe de Orientação Educacional e a Coordenação de Tecnologias Educacionais, que iniciou os trabalhos a partir de um criterioso estudo acerca dos hábitos digitais que envolvem os alunos do ensino fundamental. A nova abordagem, além de pautar-se por evidências colhidas nesse estudo, inverte o sentido do discurso tradicional, permitindo que alunos e alunas expressem suas percepções e necessidades, o que tende a gerar mais engajamento, conferindo significado verdadeiro aos encontros com as turmas de 6ºs anos.
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